Há momentos em que as ideias ocorrem com fluidez sem se pensar na prática. Sou especialista nesta área e por vezes cometo loucuras! Desta vez a ideia não partiu de mim, mas sim do meu amigo Daniel Andrade, que por motivos de trabalho se desloca por variadas vezes ao Algarve, mais propriamente Vila Moura. Numa noite de copos com os companheiros das biclas, surgiu a ideia de fazer Guarda Algarve/Vilamoura de bicicleta numa só tirada, tentando como segundo objectivo em 24horas. Este jovem amigo foi chamado de “doido”, até que a este se juntam os de sempre e a ideia começou a ter pernas para andar. - Daniel Andrade – O mentor da ideia! - Alexandre Guilhoto – O projectista! - David Rebelo – O mecânico! - Zé Carlos – O veterano! - David Rodrigues – O Profissional! - João Rodrigues – O surpreendido! Começamos por idealizar toda a estrutura que envolvia esta aventura, desde percurso ate aos carros de apoio etc, onde o Alexandre e o Zé Carlos se empenharam arduamente. Muitos não acreditaram outros duvidavam, mas nós perseguimos sempre o objectivo afincadamente. No dia 6 de Agosto pelas 23h concentramo-nos na loja Garbike, onde partimos há meia-noite em ponto. Muitos apoiantes estavam na partida para ver o inicio daquele que viria ser a nossa maior volta em bicicleta de estrada de sempre. Quase 500km infernais, onde para além do cansaço físico e psicológico, o sono e as altas temperaturas começaram a tomar conta de nós um por um. A chamada “tesão do mijo” tomou conta de nós até Castelo Branco. Trabalho em equipa e siga sempre a fundo, como nós tanto gostamos. O pior é o que faltava, após a paragem em Castelo Branco eu comecei a queixar-me do ritmo que vínhamos a impor, pois queria fazer tudo tal e qual me tinha proposto e sabia que com aquele ritmo, nem eu nem ninguém chegava lá e isso veio a confirmar-se depois. Há chegada a Évora a minha vontade de desistir era imensa, pois o que faltava era muito e a dor que tinha nos joelhos era de chorar. Graças a deus consegui descansar no Mac de Évora onde me deram gelo para por nos joelhos e ao fim de umas horas depois de almoçar, estava praticamente novo. 
Depois desta grande paragem, o calor chegou aos 46 graus o que nos desidratou mais do que já vínhamos e parecia que íamos a passar o deserto. O carro de apoio valeu-nos nestas alturas, sempre abastecer com líquidos e alimentos. Todos os lagos em todas as terrinhas eram um SPA do qual usufruíamos ao máximo. Foi o que nos valeu até Ferreira do Alentejo, onde jantamos hidratos de Carbono as colheres. Já de noite fizemo-nos de novo a estrada onde tudo mudou de novo e conseguimos impor um ritmo forte a puxar a vez. Todos se queixaram ao longo da viagem, ou de uma dor aqui ou ali ou falta de comida etc. A gasolina terminou a todos por volta dos 80 km finais onde as paragens aumentaram e um furo ainda nos atrasou mais. Mas à chegada, sentimo-nos felizes e com o desejo realizado! Resta agora esperar pela próxima. Guarda – Paris;) P.S - É impossível transmitir por este meio, tudo o que passamos em tantas horas sentadas no selim, mas apesar de todo o sofrimento a sensação de ter conseguido o objectivo foi enorme e deixou-nos com o ego em cima!Obrigado amigo Filipe por me teres emprestado a bike de estrada! Abraço, JR |